terça-feira, 10 de maio de 2011

Continuar...

"Vai passar, tu sabes que vai passar. Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe? O verão está aí, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada “impulso vital”. Pois esse impulso às vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento, te surpreenderás pensando algo como “estou contente outra vez”. Ou simplesmente “continuo”, porque já não temos mais idade para, dramaticamente, usarmos palavras grandiloquentes como “sempre” ou “nunca”.
Ninguém sabe como, mas aos poucos fomos aprendendo sobre a continuidade da vida, das pessoas e das coisas. Já não tentamos o suicídio nem cometemos gestos tresloucados. Alguns sim - nós, não. Contidamente, continuamos. E substituímos expressões fatais como “não resistirei” por outras mais mansas, como “sei que vai passar”. Esse o nosso jeito de continuar, o mais eficiente e também o mais cômodo, porque não implica em decisões, apenas em paciência.”

(Caio Fernando de Abreu)

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Eu desejo que desejes.

Hoje é um dia muitíssimo especial, quer dizer, hoje é o aniversário de uma pessoa muito especial. É mãe, tia, amiga. É quem cuidou de mim, se preocupou comigo, me acolheu. É quem assistia filmes da Disney comigo, corujão, quem me emprestava blusão pra dormir. Quem lia e contava historinhas pra mim. Quem pegava as edições da Recreio (organizadas em ordem de datas...rs) só pra eu ler os contos de terror. Quem puxava minha orelha quando eu fazia coisa errada. É quem ajuda todo o mundo, mesmo achando que tudo está contra ela. rs. Quem lanchava em pé na pia comigo. É quem fez/faz parte da minha vida e que fez um papel muito importante nela:  Contribuiu para o que eu sou agora.

Eu queria nesse momento te dar um abraço e estar ao seu lado nesse dia tão especial. Porém, 722 km nos separam. Então eu só tenho a lhe desejar...

"Eu desejo que desejes ser feliz de um modo possível e rápido,

desejo que desejes uma via expressa rumo a realizações não utópicas,
mas viáveis, que desejes coisas simples como um suco gelado
depois de correr ou um abraço ao chegar em casa,
desejo que desejes com discernimento e com alvos bem mirados.


Mas desejo também que desejes com audácia,
que desejes uns sonhos descabidos
e que ao sabê-los impossíveis não os leve em grande consideração,
mas os mantenha acesos, livres de frustração,
desejes com fantasia e atrevimento,
estando alerta para as casualidades e os milagres,
para o imponderável da vida, onde os desejos secretos são atendidos.


Desejo que desejes trabalhar melhor, que desejes amar com menos amarras,
que desejes parar de fumar, que desejes viajar para bem longe
e desejes voltar para teu canto, desejo que desejes crescer
e que desejes o choro e o silêncio, através deles somos puxados pra dentro,
eu desejo que desejes ter a coragem de se enxergar mais nitidamente.


Mas desejo também que desejes uma alegria incontida,
que desejes mais amigos, e nem precisam ser melhores amigos,
basta que sejam bons parceiros de esporte e de mesas de bar,
que desejes o bar tanto quanto a igreja,
mas que o desejo pelo encontro seja sincero,
que desejes escutar as histórias dos outros,
que desejes acreditar nelas e desacreditar também,
faz parte este ir-e-vir de certezas e incertezas,
que desejes não ter tantos desejos concretos,
que o desejo maior seja a convivência pacífica
com outros que desejam outras coisas.


Desejo que desejes alguma mudança,
uma mudança que seja necessária e que ela não te pese na alma,
mudanças são temidas, mas não há outro combustível para essa travessia.
Desejo que desejes um ano inteiro de muitos meses bem fechados,
que nada fique por fazer, e desejo, principalmente,
que desejes desejar, que te permitas desejar,
pois o desejo é vigoroso e gratuito, o desejo é inocente,
não reprima teus pedidos ocultos, desejo que desejes vitórias,
romances, diagnósticos favoráveis, mais dinheiro e sentimentos vários,
mas desejo, antes de tudo, que desejes, simplesmente."

(Martha Medeiros)
Meus parabéns!
Te amo muito.

                                             

sábado, 30 de abril de 2011


"Sem mais, eu fico onde estou
Prefiro continuar distante..."

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Auto-análise

Eu tenho a mania de olhar placas de carro e somar os dois primeiros números pra ver se dá 10. Os últimos também. Gosto de cozinhar. Mesmo. Ainda mais fazer coisa diferente, pratos diferentes. Não fico sem música um minuto. Na rua, fones de ouvido. Sou um pouquinho introspectiva nesse sentido. Não gosto de Coca-cola. Chocolate e muito menos de água mineral. Gosto de receber mensagens inesperadas. Exceto do 144. Gosto de cantar. Muito. De buscar letras e traduções. Gosto de ouvir música no repeat. Meu irmão que o diga. Gosto muito fácil das pessoas. E sofro com a mesma facilidade também. Gosto de não pensar em nada durante os trajetos. Acho que é por isso que eu sempre durmo em viagens. Ah, gosto de dormir. É uma forma de se desligar do mundo que a gente vive e se deliciar um pouquinho com um mundo que não é real. Gosto de rir. Gosto mesmo. 24 horas por dia se possível. Gosto de ler. Mas coisas que me interessem e que me acrescentem em algo. Odeio ler piadas, por exemplo. Gosto do barulho da chuva. Gosto do cheiro da terra molhada. Gosto de ver o céu à noite. Gosto da lua, das estrelas e até mesmo do negro do céu. Gosto de Santa Teresa (o bairro). Gosto de observar as pessoas e ao mesmo tempo, acabo analisando-as. Gosto de escrever. Muito. Sobre qualquer coisa. Gosto do silêncio, mas também adoro uma boa conversa. Gosto de ouvir sobre coisas que não sei. A gente sempre tira algum aprendizado delas. Gosto de relembrar o passado. Os momentos bons. Gosto de pensar positivo. Atrai coisas boas. E isso não me torna ingênua, me torna esperançosa. Sei também perceber quando algo não vai dar certo, mas aproveito enquanto der. Prezo a felicidade acima de qualquer coisa. Detesto ficar triste. Prezo a liberdade também. Sempre. Gosto de crianças gordinhas. São mais fofas e, em sua maioria, são mais legais. Gosto de dançar. Sozinha de preferência. Gosto de francês. Oui, acho uma linguagem charmosa. Gosto de bala de gelatina. E gosto do fato de ser difícil de mastigar. Gosto do meu time. Vascaína com muito orgulho. Gosto da minha família. Dos meus amigos. Mas ok, isso já é clichê. Gosto de estralar os dedos dos pés. Gosto do verde. Gosto de mato. Gosto mesmo. Trilha, escaladas, cachoeiras. Me sinto em casa. Gosto de arqueologia. De artefatos líticos e afins. E gosto também de fazer uma auto-análise às vezes. Me faz gostar mais de mim. 

Me, myself and I

A sociedade exerce uma influência enorme em cima de cada um de nós. E essa influência, algumas vezes, cria seu outro-eu. O que seria esse outro-eu? É uma personalidade baseada na sua relação com os outros. Sejam amigos ou qualquer outra pessoa do seu cotidiano. É o simples fato de você sentir ou pensar em algo completamente diferente do que você pensa e sente realmente só para ser aceitável pelos outros, admirado por eles. Não é questão de ter dupla personalidade. É questão de você ter uma personalidade fixa e uma outra que surge e se altera dependendo do "público alvo". Cabeça fraca. Influenciável, em outras palavras.
Essa variação de personalidade não te faz uma pessoa melhor perante os outros, mas na verdade, os deixa confusos sobre quem você realmente é.
Uma coisa são formas de tratamento. A forma com que você age com os seus avós, obrigatoriamente vai ser diferente da forma com que você trata os seus amigos. Mas os valores não mudam, o seu jeito não pode mudar, porque senão, quem você vai ser afinal?
Não há necessidade de se subverter a algo que você não é só para agradar terceiros. As pessoas têm que gostar de você como você é, e não da forma que mais agrada a elas. Ou você vai parar de comer maçã só porque o bonitão da sua sala não come? Ao chegar em casa você vai comer e pronto. Do que adiantou se portar dessa forma?
De nada adianta todo esse teatro. Uma hora a máscara cai e quem perde nisso tudo é você. Pois as pessoas acreditam em um você diferente, em um você que sempre agiu da maneira como elas gostavam que você fosse. E na realidade, quem tem que gostar de você mesmo, vai gostar de qualquer forma. Com você comendo maçã ou não. Rs


domingo, 10 de abril de 2011

O que te desgasta?

Me desgasta o ser humano estar do jeito que está. Me desgasta o egoísmo. A falta de valores. Me desgasta pôr roupa no varal. (rs!) Me desgasta essa falta de compromisso que todo mundo cisma em ter. Me desgasta essas músicas ruins e respectivas bandas que surgem atualmente. Me desgasta o fato de cada vez mais as pessoas não terem esperança numa mudança efetiva da situação em que todo mundo se encontra. Me desgasta esses ecobobos. A politicagem. Me desgasta o capitalismo tomar a frente em tudo. Me desgasta a manipulação (e muito). Me desgasta a ignorância, e como me desgasta. A incompreensão também. Me desgasta a falta de amor e o excesso dele. Me desgasta a superioridade. Me desgasta não ter água no filtro. Nem gelo. Me desgasta estar longe da minha mãe. Me desgasta chorar. Me desgasta esse mundo onde é tudo superficial, de plástico. Até os sentimentos. Me desgasta o Vasco perder. Me desgasta a Brahma ser 4 reais. Minha franja me desgasta. A saudade me desgasta, com o perdão da palavra, PRA CARALHO. Ah, me desgasta. Hoje tá tudo me desgastando. Até eu mesma.

"Her green plastic watering can
For her fake Chinese rubber plant
In the fake plastic earth
That she bought from a rubber man
In a town full of rubber plans
To get rid of itself

It wears her out, it wears her out
It wears her out, it wears her out."
(Radiohead - Fake Plastic Trees)

sábado, 2 de abril de 2011

Caminhoneiros, pedreiros e as cantadas baratas.

Fico frustrada quando um caminhoneiro buzina ou quando um pedreiro fala alguma gracinha quando nós, mulheres, passamos na rua. Eles não diferem se é feia ou bonita, gorda ou magra. Se não tem cenoura entre as pernas (salvo os travecos) eles lançam as benditas cantadas baratas sem nem pensar duas vezes. 
Acredito que isso seja tão natural quanto comer chester no Natal. Deve ser automático. Dentro da cabeça deles deve ter um sensor que quando passa alguma mulher ele apita, e independente de onde eles estejam, eles surgem do NADA. Tipo pomba, sabe? Você tá caminhando na rua sem incomodar ninguém e elas saem dos lixos, dos encanamentos e voam na sua frente, cagando em você ou soltando penas. Com os pedreiros é assim, onde você menos espera tem um pra te chamar de delicinha ou coisa pior. 
Me tira do sério isso. Dá vontade de virar na hora e lançar o dedão, mas minha mãe querida me deu boa educação e eu simplesmente finjo que não ouvi nada. 
Eles têm uma criatividade e tanto! Não sei porque desperdiçam ela numa obra. Outro dia tinha dois pedreiros numa obra e um deles soltou o baita elogio: "Hummm...quer ser a cereja do meu floresta negra?"
CARA, um pedreiro falando floresta negra! Rs. Eu quase parei e dei os parabéns por ser tão criativo. Podia falar chocolate do meu brigadeiro, meu doce de leite com queijo, coisas mais simples assim. Mas não, ele apelou pro floresta negra. Na hora que ele falou isso eu até olhei pra ver se ele não tava de terno. Vai saber, né. 
Prova para seleção de pedreiros para as obras deve ser assim: Loirinha bonitinha cruzando a esquina. Letra A, gostosa. Letra B, adoro uma loira. Letra C, de onde veio isso tem mais? Ou letra D, todas as alternativas acima estão corretas. Pronto, todos passam na prova de seleção, mas só ficam aqueles que sabem fazer um cimento, pregar um tijolo.
Ou eles podem pensar que estão fazendo um favor à humanidade nos elogiando. Acreditem, não estão. Às vezes a gente só quer andar pela rua, sem precisar ouvir um elogio sequer. E ok, isso não é só com os coitados dos pedreiros e caminhoneiros (alvos da minha crítica hoje), é com todo mundo! Tem horas em que só olhar já é um baita de um elogio, portanto, não desperdice suas palavras pra qualquer pessoa na rua. Vai que ela não tá num dia muito bom.

E aí gatinha, vai um tubaína com pão e mortadela?