segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

É, Zé...

"Essa vida viu, Zé. Pode ser boa que é uma coisa. Já chorei muito, já doeu muito esse coração. Mas agora tô, ó, tá vendo? De pedra. Nem pena do mundo eu consigo mais sentir. Minha pureza era linda, Zé, mas ninguém entendia ela, ninguém acolhia ela. Todo mundo só abusava dela. Agora ninguém mais abusa da minha alma pelo simples fato de que eu não tenho mais alma nenhuma. Já era, Zé. É isso que chamam de ser esperto? Nossa, então eu sou uma ninja. Bate aqui no meu peito, Zé? Sentiu o barulho de granito? Quebrou o braço, Zé? Desculpa!" 
(Tati Bernardi)


terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

“Cansei de quem gosta como se gostar fosse mais uma ferramenta de marketing. 
                                             Gostar aos poucos, 
                                                                    gostar analisando, 
                                                                            gostar duas vezes por semana, 
                                                                                        gostar até as duas e dezoito.

Cansei de gente que gosta 
como pensa que é certo gostar.
 Gostar é essa besta desenfreada mesmo.
              E não tem  pensar. 
                  E arrepia o corpo inteiro, 
                            mas você não sabe se é defesa para recuar ou atacar. 
                               
E eu gosto de você porque gostar não faz sentido.”


(Tati Bernardi)

Mas é ciúme, ciúme de você.

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Quando se inicia uma relação é natural se sentir inseguro com algumas questões. E quando a insegurança surge, o ciúme vem junto só esperando para dar o bote. O ciúme é na verdade um sentimento expressado quando uma pessoa quer preservar algo que não se quer perder. Portanto, se não for doentio, encare de uma forma positiva. É uma forma de proteção expressada pelo próximo.
Eu, particularmente, detesto sentir ciúme. E sou uma verdadeira atriz na arte de fingir que não sinto nada. Você finge tanto, que se irrita com isso. E ao invés de mostrar logo que tá com ciúmes - não - se faz de sou boazona, tô achando tudo lindo e pronto. É mais fácil assumir logo, menos doloroso e bem menos irritante. Agora me diz, qual é o ser humano que não sente ciúmes? Se você conhece um, me apresente porque essa desgraça precisa me ensinar essa tática ninja.
Ciúmes de certa forma é uma amostra de que a pessoa se importa. Seja por outra pessoa, seja por um livro, cd,  filme, citações...e por aí vai. Existem diversos tipos de ciúmes, por diversos tipos de coisas. Existe o ciúme fomentado, no qual você tá tranquila, sem sentir ciúme algum, aí vem um indivíduo que te proporciona sentir essa droga de ciúmes através de fatos ou historinhas que você nem precisava saber, só pra alimentar o bichinho que cresce aí dentro. Existe o ciúme que surge da sua cabeça. Não tem NADA ali, mas você cisma que tem. Aí vem além de ciúme, as benditas nóias que acabam com a paciência de qualquer um. Existe o ciúme saudável. Aquele que você sente pela pessoa amada quando começa a pensar no quão boa ela é e no quanto você sofreria se a perdesse. Faz até valorizar mais, sabia? Mas não tente começar a sentir isso do nada. Ele surge com o tempo e é parcialmente espontâneo.
Todo mundo sente ciúme. A única coisa que muda são os graus de expressão geradas. Ele pode ser uma coisa louca, obsessiva e infundada como também pode ser uma coisa saudável, presente em qualquer tipo de relação. 
Se você sente ciúmes, para pra pensar um pouco e avalie se é saudável sentir isso. Por que se não for, é melhor começar a descartá-lo antes que a pessoa direcionada descubra essa bobalhada toda que você tá sentindo.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Next year...

...things are gonna change. (Jamie Cullum)

Mais um ano está acabando e com a vinda do próximo surgem novos planos, propostas de um ano melhor e arrependimentos. As pessoas criam uma expectativa de que tudo será melhor e fazem um check-up geral de tudo que fizeram no ano que se passou. O que irão repetir. O que não farão mais. Dezembro se torna um mês de reflexão e de organização dos próximos desejos. 
Há toda aquela crença das cores na virada do ano. Verde traz esperança, branco paz e amarelo dinheiro. Dá até pra perceber que dificuldades a pessoa passou no ano. Tem gente que parece um arco-íris. Quer um pouco de tudo, mesmo sabendo que essa história de roupa é só balela. São as suas atitudes e seu empenho que designam algo bom ou ruim no ano em que está por vir.
Todos fazem suas resoluções. Querem emagrecer, casar, ter filhos, dominar o mundo. Tudo isso num ano só. Aí quando chega dezembro do bendito ano, dizem que não cumpriram os objetivos. E isso vira um ciclo. Sempre se acham perdedores. 
Eu só peço uma coisa: Quero estar viva. O resto vou realizando com o tempo. Vou colocando em prática meus sonhos e vontades e vamos ver no que dá. Não fico lamentando nem projetando o meu ano. Muito pelo contrário. Agradeço, pois apesar dos pesares, os meus anos foram sempre repletos de muita felicidade. E é isso que importa.


sábado, 11 de dezembro de 2010

Essência

Dá pra ver de longe quando a pessoa possui essência, e faz dela, seu carro alegórico. Atualmente as pessoas perdem a essência na mesma agilidade em que se arrumam para o trabalho. Porque perdem? Falta de uso. Colocaram a essência na prateleira mais alta. Junto dos livros empoeirados que não dá tempo de ler. Junto das lembranças boas que, devido a falta de tempo, esquecemos de recordar. Perdem a essência assim, de graça. Sem nem fazer força. Ela escapa pelos vãos dos dedos e quando vê, já não existe mais.
Quem tem essência é iluminado. Tem o sorriso largo e cativante. Não se preocupam com bobagens e só procuram se preocupar realmente com aquilo que os faça feliz. Dão amor em troca de nada. Se arriscam. Vivem. E correm atrás dos sonhos com uma garra que eu vou te contar viu. É de dar inveja. Inveja branca. Boa.  Porque essas pessoas não se atingem com maus fluidos e nem pensamentos ruins. São boas por natureza. 
É essa falta de essência que torna as relações cada vez mais superficiais hoje em dia. Você diz bom dia por educação, por obrigação e não realmente porque quer que a pessoa tenha um bom dia. É mecânico. Você se ocupa tanto em sobreviver que esquece de olhar as pequenas coisas, se esquece de dar valor à elas.  A rotina é passada em preto e branco, tornando tudo mais triste e banal. Os sentimentos bons são guardados no bolso e a falta de paciência é emanada durante 24 horas por dia.
Quem possui essência de sobra, podia nesse Natal, distribuir pelas ruas. Essência saindo do cano dos automóveis, dos sinais de trânsito, das palavras boas, do abraço, do aperto de mão, do beijo, do café. De tudo! Pois quem sabe assim, os seres humanos possam colocá-la de volta em uso antes que ela perca a validade. 


Incômodo.

Roçava as unhas pelos cabelos negros. Levava o copo à boca compulsivamente. Sorria amarelo. Olhava pros lados procurando não sei o que, não sei aonde. Faltava alguma coisa ali. O que era? Ela não sabia exatamente. Cantava a música que aprendeu por osmose e que no momento estava tocando no ambiente. Pensava sozinha o quanto existiam pessoas rasas, fúteis e supérfluas. Ouvia falarem sobre novela e fingia entretida (mesmo não assistindo porcaria nenhuma). Na maioria das vezes ela oscilava entre o mundo real e um mundo que só existia na cabeça dela. Fazia bem a ela.
Olhava em volta e se lembrava do texto que leu há um tempo atrás da Tati Bernardi: "esse povo deve ter gases e síndrome do pânico de tanto que chupa o abdômen e força a ossatura facial para parecer feliz. Em algum momento eles devem peidar e chorar e querer muito morrer." Ria consigo mesma. Achava aquela pose toda muito engraçada. Casais e seus filhos. Solteirões à procura de ninfetas. Loiras peitudas que imitam garotas de seriados americanos substituindo o cérebro por batons MAC. Tinha de todos os tipos. Parecia feira. Na verdade, todos ali, quando chegavam em casa se encolhiam nos próprios joelhos e se martirizavam por não serem realmente quem são. Ou não. Foda-se. Não importava para ela. Voltava a atenção para o assunto. Caramba, como ela gostava desse pessoal. Ela não entendia muito bem porque se sentia tão bem entre eles. Eles completavam ela de uma forma sem igual. Mas ainda faltava alguma coisa ali. Alguma coisa que a incomodava. Outro gole da bebida. Tá quente. Olha pro céu a procura de alguma estrela. Nada, só preto - detesto preto - pensava ela. Sempre gostou de cores. Gente colorida. É, eles eram coloridos. Da forma deles, mas eram. E ela gostava disso.
Sua cabeça ficava a mil por hora. Ao mesmo tempo em que descobria o nome do ator principal da novela, ela pensava na sua mãe e no que ela estaria fazendo a essa hora. Jantar. Hora de ir pra casa. Despedidas. Sono. É, ainda faltava algo. Enquanto caminhava, ela tentava não pisar nas linhas do chão. Mania boba adquirida na infância. Mas fazia bem a ela. 
Enfim em casa. Ela se jogava nos livros, nos filmes, nas músicas. Mas não encontrava aquilo que lhe faltava. No fundo. Bem no fundo. Ela sabia que a resposta não estava nos livros, nem nos filmes e muito menos na música. Tava dentro dela. E por isso, ia sempre incomodar, porque ela ia carregar para todos os lugares em que fosse. Falta. Bobagem. Com o tempo essa falta é ocupada por algo mais importante. Ela sabia que não era assim. Mas pensar assim a fazia se sentir superior. Babaquice, eu sei. Ela queria enganar quem? Enganar a si mesma? Fazia falta e ponto. Ela só sabia que aquilo a incomodava. Mas pelo menos ela sentia. E sentir, pra ela, já era uma forma de substituir a tal da saudade. E ela ia vivendo.