terça-feira, 13 de setembro de 2011

Diário de bordo

Dia 1º de Setembro, pé na estrada. Destino? Floripa com escala em Belo Horizonte. Como todo bom e velho (nem tão velho) estudante, fui de carona com um professor e uns amigos. Viagem rápida, conversa de macho que de nada me interessava, sono e...sono. Fui pra casa de uma amiga muito muito querida, que precisava de umas boas risadas comigo. 

Peguei um táxi, pois quem tem boca vai à Roma, mas quem tá perdido anda de táxi. Trabalhador, pai de dois filhos (tinha acabado de fazer vasectomia, por isso não carregou as malas), já tinha dirigido caminhão e acabou parando no táxi. Não quis saber de estudar, seu sonho sempre foi dirigir, dirigir e dirigir. É, esse era o motorista. Simpático, exceto pelo fato de chamar estudantes que pegam carona de malucos. Está certo, de fato. Mas prosseguiremos...

A chegada foi como eu esperava. A saudade saía pelas ventas e não cabia nos abraços. Foram dias compostos de papos filosóficos diversos, jantares/almoços improvisados e andanças de pijama pela rua atrás de umas pizzas. Teve direito à conversa rápida com um australiano muito Kelly Slater, tocos de árvores que pareciam pássaros mortos (que supostamente me transformaram numa troglodita por tê-lo chutado) e filmes, muitos filmes. Deu pra matar 1/3 dessa saudade que já passa a me perturbar novamente. 

Pronto, Floripa. Primeira vez que ia andar de avião. Chico Buarque no mp3 e bon voyage! O medo de ultrapassar os 23 kg foi tão grande, que metade da minha mala ficou em BH. E, adivinhem? Deu míseros 10 kg. Mas tudo bem, faz parte. No raio-x, enguiçaram com a minha tesoura sem ponta e com o meu compasso lindo de desenhar bordas de cerâmica. Pediram desculpas por terem confundido com uma R-15 e eu prossegui viagem.

Devo parabenizar os comissários de bordo e o piloto pela clareza ao falar em inglês. Eu juro, que se um dia acontecer alguma coisa no voo em que eu estiver e eu perceber a existência de algum estrangeiro junto. Eu explico pra ele todos os procedimentos novamente, porque olha, parece que ele fala comendo paçoca. E na hora da tradução das instruções para o inglês, eles praticamente reduzem a um mero: good trip. And fuck you, né. 

Levantamos voo. Do lado esquerdo, uma mulher que se estressava quando eu me inclinava um pouco para ver o céu (lindo, por sinal). Do lado direito, uma senhora que achava um absurdo não ter café num voo para estrangeiros. "Que cultura do Brasil vocês querem passar? Isso é um abs..." fones de ouvido. 

Enfim Floripa. Frio, chuva todos os dias, Heineken por 4,50 e boas risadas. Dormi no quarto com 4 pessoas sensacionais, e das quais, pretendo cultivar uma amizade além da SAB. Ao lado havia um pessoal do Amapá, pessoas de uma simpatia imensa que tive o prazer de conhecer também. As conversas eram praticamente todas de cunho arqueológico e ao mesmo tempo divertidíssimas. É uma coisa tão, mas tão boa se relacionar com gente da mesma linha de interesse que a sua. As abordagens são diferentes e ao mesmo tempo, cada coisa acrescenta independente da área em que você trabalha.

O congresso foi um pouco decepcionante devido a organização ou a falta dela (comida, cronograma e informações), mas de qualquer forma, me acrescentou em diversas coisas. Voltei com um olhar mais abrangente, mais bonito e sem deixar de ser simples ao mesmo tempo. Olhar este que capta a mínima mensagem presente num pequeno fragmento de cerâmica, observando a cultura inserida nele. Bonito, sem mais. 

Pude também despertar outra paixonite em mim: Osteoarqueologia. Participei de um mini curso e, assumo, a glabela e o opistocrânio nunca foram tão fascinantes pra mim. Tô apaixonada, tô estudando tudo e não tô nem ligando pro que vão dizer (Luan Santana feelings).

Nos dias do congresso, almoçávamos num restaurante vegetariano (pseudo chinês) muito gostoso! No qual tinha uma chinezinha fofinha-que-vontade-de-apertar e uma comida muito, mas muito saborosa mesmo. Nem senti falta da carne. Ah, tinha sushi! Nham! E foi descoberta do colombiano que tivemos a sorte de compartilhar o mesmo cômodo. Não só o cômodo como o "no no no", "cadê minha pijama?" e "pobrecito el perrito". rs!

Depois de tanta chuva, no último dia era "Sol o que me faltava.". E eis que surge a bendita Lady Murphy. Nem tudo pode ser perfeito, eu sei. Mas essa história de tá no inferno, abraça o capeta realmente não cola. Resolvemos ir pra praia. Sem dinheiro, sem saber quais eram os ônibus que tínhamos que pegar...só com a cara, a coragem e duas malas enormes. 

Depois de pegar o ônibus errado, ouvir a cidade inteira vender dvd, almoçar literalmente numa mercearia e conhecer uma praia com uma mísera faixa de areia dura (ok, só pelo barulhinho do mar e pela maresia, já valeu a pena). Meu voo foi cancelado, depois teve o atraso de uma hora. Resumindo: Dormi na rodoviária, meu ônibus atrasou (pra variar) e finalmente cheguei em Diamantina (bati os pés no chão com força. Felicidade grande de sentir essas pedrinhas). 

No mais, valeu muito a pena essa viagem em todos os sentidos: Aprendizado, pessoas, conhecimento...enfim,  obrigada às pessoas que me proporcionaram essa experiência e...até a próxima! 

Nós e o nosso GRANDE AMIGO Colin Renfrew. 

Um comentário:

Lorranny Berto. disse...

"era Sol o que me faltava."

Ri demais lendo seu texto!

Que forma gostosa de descrever tudo, menina.
O segredo é este: falar de tudo como vc realmente vê, como quando falou das mulheres ao seu lado no avião.

Adorei :)