Como alguns sabem, passei para Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (Não sei pra quê esse nome), localizada em Diamantina - MG. Cursarei Bacharelado em Humanidades, curso pouco conhecido, mas de valor infinito. Estou indo hoje de madrugada... E agora, estou despedindo do meu quarto, do meu canto, da minha casa.
Terminei de desbravar as gavetas hoje e descobri que uma cômoda e um armário guardam mais coisas do que a gente imagina. O legal de mudanças é que você encontra coisas que nem sabia da existência. Como o creme de olheiras que nunca usei (e que provavelmente nunca vou usar), um papel com o nome da minha futura máquina fotográfica profissional, que já devem ter surgido melhores. O bloco em que eu escrevia meus planos, contendo sonhos riscados e coisas que me fizeram rir. Algumas lembranças que me olhavam do fundo da gaveta e que já foram parar dentro do lixo, já outras, não consegui me desvencilhar tão facilmente.
Consegui reunir tudo o que consideram necessário para uma vida em outro lugar. "Leva agasalho, não esquece do protetor, liga assim que chegar, tá levando remédio pra gripe?"
Tô, mas posso substituir por alguém? O beijo da minha mãe cura gripe mais rápido e o abraço das minhas amigas me protege do sol, do vento e do frio tão bem quanto um agasalho ou um protetor. Queria que as pessoas coubessem na mala, ou que a saudade fosse um sentimento bom. Odeio sentir saudade.
Mudança tem sempre seu lado ruim, você deixa pra trás as pessoas que você ama, mas tem o lado bom, que compensa qualquer dor que a falta dessas pessoas causa a você. Quando você muda, você conhece outros ares, outros bares (rs), outras culturas, outras pessoas. Faz mais amigos e acaba espalhando a saudade pra todos os cantos.